Rebeldes líbios controlam quase toda Trípoli, e dizem não saber o paradeiro de Kadhafi

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Tanques e franco-atiradores do governo líbio oferecem nesta segunda-feira (22) resistência esparsa e desesperada ao avanço dos rebeldes que chegaram ao coração da capital, Trípoli, e foram ovacionados por multidões que celebravam o fim iminente dos 42 anos do regime do ditador Muammar Kadhafi.

O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, Mustafa Abdul-Jalil, disse à TV “Al Arabiya” que ninguém sabe qual é o paradeiro de Kadhafi.

Segundo a emissora, ele também afirmou que não está havendo negociações entre os dirigentes rebeldes e o Tribunal Penal Internacional sobre a transferência de um dos filhos de Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, para essa corte, em Haia, onde seria julgado por crimes de guerra — negando assim informação anterior da ‘Al Arabiya’. Saif foi preso pelos insurgentes na véspera.

Em uma mensagem de áudio, transmitida no domingo desde local desconhecido, Kadhafi, de 69 anos, pediu aos civis que peguem em armas contra os “ratos” rebeldes e disse que continuará em Trípoli “com vocês até o final”. Mas havia pouco sinal de oposição popular à ofensiva rebelde.

Dois filhos de Kadhafi foram detidos pelos rebeldes. Correspondentes da agência de notícias Reuters viram insurgentes perseguindo franco-atiradores de casa em casa. Disparos e bombardeios esporádicos mantinham os civis fora das ruas, ansiosamente aguardando o final dos combates após uma breve explosão de júbilo no domingo.

“Os revolucionários estão posicionados em todos os lugares de Trípoli, mas as forças de Kadhafi tentam resistir”, disse um dirigente rebelde na cidade, identificado como Abdulrahman./

Segundo ele, “há tiroteios em todo lugar”, e os tanques do governo estão em ação perto do porto e no centro, nos arredores do complexo governamental de Bab al Aziziya. “Os franco-atiradores são o principal problema”, acrescentou. “Há um grande número de mártires (rebeldes mortos).”

O chanceler italiano, Franco Frattini, disse que “o tempo se esgotou” para o regime líbio, que segundo ele controlava agora apenas 10% a 15% da capital.

Mas a TV estatal ainda parece estar nas mãos dos seguidores de Kadhafi.

“O moral das nossas tropas está elevado”, disse um apresentador. No entanto, uma programação infantil substituiu a música marcial e as imagens de Kadhafi que dominaram as transmissões nos últimos meses.

Na noite de sábado, células rebeldes na capital e insurgentes vindos de várias frentes fizeram uma ação coordenada que resultou nos maiores combates na capital em mais de seis meses de guerra civil.

Uma fonte do governo disse à Reuters que houve 376 mortes, em ambos os lados, e cerca de mil feridos. Não ficou claro como essas cifras foram apuradas.

Na noite de domingo, uma multidão de civis agitando bandeiras dos rebeldes se aglomerou na Praça Verde, tradicional reduto do culto à personalidade de Kadhafi. Alguns propunham rebatizar o local como Praça dos Mártires. Mais rebeldes avançavam nesta segunda em direção ao local.

Mas, na manhã desta segunda-feira, o porta-voz rebelde Nouri Echtiwi disse que tanques e caminhonetes equipadas com metralhadoras haviam saído do complexo governamental de Bab al Aziziya. “Eles disparavam aleatoriamente em todas as direções sempre que ouviam tiros”, afirmou.

A guerra civil líbia é a mais violenta na onda de revoltas populares deste ano no Norte da África e Oriente Médio, a chamada “Primavera Árabe”.

Os EUA e outros governos ocidentais pediram a Kadhafi que aceite a derrota e se disponha a colaborar com os rebeldes – embora o futuro da liderança líbia ainda seja muito obscuro.

Premiê na Tunísia
O primeiro-ministro da Líbia, Al Baghdadi Ali al-Mahmoudi, chegou à ilha de Djerba, no sul da Tunísia, na noite de domingo, disseram uma testemunha e fontes locais à Reuters. Não havia confirmação oficial.

Segundo a fonte, opositores que estavam hospedados nas proximidades se manifestaram e tentaram invadir o hotel depois de descobrir que o premiê estava no local. Outras fontes confirmaram as informações.

Grécia
Vinte manifestantes líbios saquearam a embaixada da Líbia em Atenas, retiraram a placa da representação e jogaram documentos no pátio do edifício.

O grupo, que foi autorizado a entrar pelos funcionários, de acordo com a polícia grega, retirou a bandeira líbia e usou grafite nas paredes da embaixada.

O pátio da embaixada ficou lotado de livros escritos pelo coronel Muammar Kadhafi e de documentos rasgados.

fonte: G1


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