Morre, aos 83 anos, o escritor mexicano Carlos Fuentes

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O escritor Carlos Fuentes morreu nesta terça-feira na Cidade do México, aos 83 anos, disseram à Agência Efe fontes do hospital onde ele estava internado.

Meios de comunicação mexicanos informaram sobre a morte citando fontes próximas à família. Ele morreu no Hospital Angeles, na capital mexicana, em decorrência de complicações cardíacas.

Autor de romances como “A região mais transparente” (1958) e “A morte de Artemio Cruz” (1962), ele nasceu no Panamá em 11 de novembro de 1928, mas vivia no México desde sua adolescência. Fuentes falou sobre literatura e política em entrevista exibida no programa “Dossiê Globo News”

Além de romancista, ele foi novelista, ensaísta e diplomata. Fuentes é conhecido por seu olhar crítico sobre a sociedade mexicana contemporânea e a política conservadora do ex-presidente americano George W. Bush.

Seus artigos sobre o tema foram compilados em 2004 no livro “Contra Bush”. Outras obras que se destacaram foram “Aura” (1962), “Terra nostra” (1975) e “Gringo velho” (1985).

Seu prolífico trabalho literário foi traduzido em 24 idiomas. Em um episódio curioso, sua obra “Aura” (1962) ganhou popularidade no México quase 40 anos depois de sua publicação, quando um conservador ministro do Trabalho proibiu que sua filha adolescente lesse o livro por narrar uma cena erótica.

A polêmica aumentou a demanda por “Aura” em meio a manifestações intelectuais em defesa da cultura. Segundo uma cronologia escrita por ele mesmo, começou na leitura desde criança com Edmundo de Amicis e Mark Twain, para logo conhecer Alejandro Dumas, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges, entre outros. Em 1944, leu “El Quijote” e desde então voltou a visitá-lo a cada ano, disse.

Ele era casado com a jornalista mexicana Silvia Lemús, união da qual nasceram seus filhos Carlos Rafael, que era hemofílico e morreu em 1999 aos 25 anos, e Natasha, que morreu alguns anos depois aos 32 anos por causas desconhecidas.

Fuentes ganhou o Prêmio Cervantes em 1987 e o Prêmio Príncipe das Astúrias em 1994. O livro mais recente do autor é “Antologia de contos Carolina Grau”, que foi lançado em 2010 durante a Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no oeste do México.

Ativista
Em um de seus romances mais recentes, “A Cadeira da Águia” (2002), Fuentes recorre à literatura epistolar para descrever de perto as manobras políticas ao redor de uma sucessão presidencial no México e as perversões do poder.

Mas também estendeu suas críticas fora do país, como “A Fronteira de Cristal”, que fala dos mexicanos que migram ilegalmente aos Estados Unidos em busca de emprego.

As opiniões de Fuentes eram comumente destacadas na imprensa nacional e internacional, em entrevistas concedidas aos meios de comunicação ou em seus artigos jornalísticos. Suas inquietudes políticas afloraram na juventude.

Quando esteve radicado no Chile, durante a Segunda Guerra Mundial, participou em protestos de rua e, depois, ao voltar aos estudos em Washington, conviveu com alunos judeus alemães exilados.

Com o triunfo da revolução cubana de Fidel Castro enquanto Fuentes morava no México, o escritor viajou de imediato à ilha caribenha em apoio a esse governo.

O autor, que foi embaixador do México na França (1972-1976) e professor em várias universidades norte-americanas e europeias, colaborou também com o Prêmio Nobel de Literatura de 1988, Octavio Paz, na Revista Mexicana de Literatura.

Fuentes tornou-se diplomata seguindo os passos do pai, mas se viu obrigado a deixar a embaixada em Paris depois de criticar abertamente o então hegemônico Partido Revolucionário Instituicional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000.

fonte: G1


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