Relatório final mostra que AF 447 caiu após falhas técnicas e humanas

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Uma combinação de erros humanos e falhas técnicas provocou o acidente do voo AF 447 da Air France, que deixou 228 mortos em junho de 2009 ao cair no Oceano Atlântico, segundo apontou o relatório final divulgado na manhã desta quinta-feira (5) em Paris, pelo BEA (Escritório de Investigação e Análises), órgão francês encarregado das investigações.

Conforme o diretor do órgão, Jean Troadec, os pilotos não entenderam que o avião entrou em situação de estol (perda de sustentação) e que o avião caía. Ele afirmou ainda que, nos momentos finais, era praticamente impossível reverter a queda. “Não esperem que a gente aponte responsabilidades”, disse.

O BEA elencou uma sequência de fatores contribuíram para a queda: a incoerência nas informações de velocidade, ocorrida devido ao congelamento dos sensores pitot, provocou a queda do piloto automático.

Em seguida, a tripulação não entendeu o que o que ocorria com o Airbus e tomou uma atitude errada, levando à queda da aeronave no Oceano Atlântico. Eles não haviam sido treinados para atuar na situação de perde de informações e de pilotagem manual em alta altitude.

“Ações de comando desestabilizaram o avião, que entrou em uma queda anunciada”, disse o o investigador do caso, Alain Boillard.

“Essas ações bruscas e excessivas não são adequadas para um voo de alta altitude, sobretudo a ação de inclinação do bico da aeronave”, acrescentou.

Estas conclusões do relatório final foram antecipadas pelo G1 no início de junho. A investigação conclui que o sistema de automatismo do Airbus e falhas no treinamento e no gerenciamento da tripulação na cabine contribuíram para o acidente.

Recomendações
OBEA fez 25 recomendações para tentar evitar acidentes semelhantes, entre eles para melhorar a coordenação dos pilotos em momentos de crise, o treinamento e no simulador da Airbus, “para ficar mais realista” ao treinamento dos pilotos.

Outra recomendação é para a Airbus “reveja a lógica do sistema de controle da aeronave”. Isso porque os piloto não entenderam que o avião estava caindo porque estavam em uma forma de controle sem proteção contra perda de sustentação.

O BEA também recomendou mudanças no controle do tráfego aéreo brasileiro e na coordenação de resgate em caso de acidentes no Oceano Atlântico.

Os investigadores apontaram que o comandante do AF 447 deixou a cabine sem fazer uma divisão de tarefas entre os copilotos.

“Não houve a definição de nenhuma estratégia sobre como atravessar a tempestade. Quando o comandante sai, os pilotos falam sobre o radar e decidem fazer uma leve inclinação na trajetória à esquerda”, afirma.

Hipótese para o erro
O investigador divulgou pela primeira vez uma hipótese que poderia indicar o motivo do copiloto mais novo ter adotado uma atitude errada, elevando o bico do avião.

“Ele poderia estar entendendo que estava em uma situação de alta velocidade, possivelmente por conta da questão aerodinâmica”, disse Boillard. Ao elevar o bico do avião e ganhar altitude, o avião poderia diminuir a velocidade.

O relatório foi divulgado primeiramente para os parentes de vítimas. Para o presidente da Associação de Parentes de Vítimas brasileiras do AF 447, Nelson Marinho, o relatório confirmou que os pilotos “não estavam aptos para entender e responder ao problema”.

“Vemos o BEA fugindo da verdadeira causa do acidente. O automatismo foi a principal causa”.

Ele lembra que, “naquela noite, o único voo que foi em frente na direção das nuvens foi o AF 447. Eles não souberam explicar o motivo”, diz.

fonte: G1


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