Judoca Mayra Aguiar supera dores e conquista bronze

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Foi com dor física e na alma. Mayra Aguiar não repetiu a história de Felipe Kitadai, que levou o bronze no último sábado no dia do seu aniversário. A gaúcha ganhou o presente antecipado, na véspera de completar 21 anos.

Bateu a holandesa Marhinde Verkerk por ippon e faturou a terceira medalha do judô brasileiro nas Olimpíadas de Londres – a segunda de bronze. Tudo isso após uma angustiante e incontestável derrota para a maior rival. Do choro contido ao sorriso. Do sorriso ao pódio.

Número 1 do mundo na categoria meio-pesado e favorita ao título olímpico, Mayra perdeu para a americana Kayla Harrison na semifinal e viu o sonho do ouro ir embora. Só que a judoca não tinha tempo para lamentações.

Precisava voltar ao tatame e tentar o bronze. E foi isso que ela fez, com o apoio de outros medalhistas olímpicos, como Aurélio Miguel (ouro em 1998 e bronze em 1996) e Leandro Guilheiro (bronze em 2004 e 2008).

– Saí daquela luta contra a americana com agonia, com muita, mas muita vontade de chorar, uma coisa ruim dentro de mim. E ela ainda tinha estalado meu braço inteiro. Aí veio Aurélio Miguel falando “é outra competição. Não vai sair daqui sem nada”. Depois o Leandro Guilheiro falou: “Levanta a cabeça, vamos levar essa medalha”.

O choro parou ali. Mayra se lembrou se tudo o que passou nos últimos quatro anos, desde aqueles Jogos de Pequim, quando, aos 17 anos, perdeu na primeira luta. Ela levou a Londres um prata e um bronze em Mundiais. Levou para ali a liderança do ranking.

O braço latejava, e a única chance de minimizar a dor era sendo rápida.

Na luta pelo pódio, uma torcida barulhenta gritando “Holanda” em boa parte do combate. A holandesa tentou as primeiras entradas. Mayra, porém, estava focada. Defendeu as entradas e, com 3m36s restando, conseguiu um ko-soto-gari que derrubou a holandesa e lhe valeu o ippon da vitória.

No Sul, os amigos de Mayra comemoraram a conquista do bronze cantando “Parabéns a Você”, com um bolo especial.

– Amanhã é meu aniversário e a medalha olímpica não podia ser presente melhor. Todas as batalhas, todas as dores, tudo que tive que abrir mão, tudo isso valeu a pena por este momento – afirmou.

Algoz da brasileira, Kayla Harrison foi a campeã depois de derrotar a sensação britânica Gemma Gibbons, apenas a número 100 do ranking mundial. A inglesa surpreendeu o Complexo Excel ao eliminar a campeã mundial Audrey Tcheumeo, da França, que terminou com o bronze. Porém, na final, caiu diante da americana, ficou com a prata e foi aplaudida de pé pelos torcedores.

O terceiro pódio garantiu ao judô sua melhor participação nos Jogos Olímpicos na história, com três medalhas, sendo uma de ouro e duas de bronze. Em 1984 e 2008, o Brasil também conquistou três medalhas no judô, mas nenhum ouro – em 84, foram uma prata e dois bronzes, e, em 2008, foram três bronzes.

A seleção de 2012 ainda tem duas chances de superar essa marca e alcançar a meta da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) de quatro medalhas olímpicas: na sexta-feira, Rafael Silva e Maria Suellen Altheman disputam a categoria peso-pesado.

Até agora, o Brasil já ganhou quatro medalhas nos Jogos de Londres: o ouro de Sarah Menezes (judô, peso-ligeiro), a prata de Thiago Pereira (natação, 400m medley) e os bronzes de Felipe Kitadai (judô, peso-ligeiro) e Mayra Aguiar (judô, pedo-meio-pesado).

Confira como ficou o pódio do peso-meio-pesado (até 78kg) do judô feminino:
1ª Kayla Harrison (EUA)
2ª Gemma Gibbons (GBR)
3ª Audrey Tcheumeo (FRA)
3ª Mayra Aguiar (BRA)

fonte: Gabriele Lomba


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