Ben Affleck dirige e protagoniza filme baseado em história real

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Há dois “Argo” na história de Hollywood. O primeiro, de 1980, teve uma pré-produção caprichada, anúncios em jornais, festas de lançamento do projeto e até visitas a locações no exterior. Mas nunca saiu do papel.

Já o outro “Argo”, este de 2012, ficou pronto. Ele acaba de passar pelos festivais de Toronto e San Sebastián, será exibido no Festival do Rio, (com primeira sessão no sábado 29, veja todos os horários abaixo), e tem sido apontado como um dos favoritos ao Oscar.

Dirigido por Ben Affleck, o segundo “Argo” narra exatamente o que esteve por trás do primeiro. A história começou no Irã.

Em 4 de novembro de 1979, algumas dezenas de manifestantes iranianos invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã, para cobrar os anos de apoio dado pelo governo de Washington ao xá Mohammad Reza Pahlevi.

Considerado por grande parte da população um ditador corrupto, opressor e vendido aos interesses ocidentais, Pahlevi fora deposto em fevereiro, por uma revolução islâmica que deu início ao regime dos aiatolás, que se mantém no poder deste então.

Na embaixada, 66 pessoas foram feitas reféns, sendo que 52 delas permaneceram presas por 444 dias.

Elas eram acusadas de espionagem e de tentar desestabilizar o novo governo. Para alguns analistas políticos, a longevidade do ato custou a reeleição do democrata Jimmy Carter à presidência americana, em 1980: os reféns só foram soltos em 20 de janeiro de 1981, exatamente no dia em que o republicano Ronald Reagan assumiu a Casa Branca.

Foi por causa daquele período, também, que os EUA cortaram relações diplomáticas com o Irã, e até hoje não há um consulado americano em território iraniano.

— Eu quis mostrar no filme um pouco das consequências da revolução iraniana, que explicam muito do que a gente vê acontecendo hoje no país — disse Affleck, na entrevista coletiva de “Argo”, durante o Festival de San Sebastián, na Espanha.

— E ele também serve como um tributo aos diplomatas. É um trabalho difícil, que envolve sacrifícios e é perigoso em algumas situações.

A história que “Argo” conta, porém, não é a dos diplomatas americanos sequestrados. É a dos diplomatas americanos que escaparam.

Sem que ninguém percebesse, seis funcionários da embaixada deixaram o prédio durante a invasão dos manifestantes e se refugiaram na casa do embaixador do Canadá.

Para tirar essa gente de lá, o agente da CIA Antonio Mendez (interpretado pelo próprio Affleck) teve a ideia mais biruta possível: ele inventou um filme de ficção científica e criou para os seis americanos refugiados identidades falsas para que eles se passassem por uma equipe canadense de cinema.

— Quando eu recebi o roteiro, o que me deixou mais impressionado era que se tratava de uma história real. Era difícil imaginar que algo assim realmente tenha acontecido — lembra Affleck.

— A partir dali, o que fiz foi copiar os estilos dos thrillers dos anos 1970, como “Todos os homens do presidente”, “A morte de um bookmaker chinês”, do Cassavetes, e os filmes do Costa-Gavras. Roubei mesmo.

O nome do filme que nunca seria realizado era justamente “Argo”. Para que a coisa realmente desse certo, Mendez contratou o maquiador John Chambers, famoso por seu trabalho na série “O planeta dos macacos”.

A história, com alguns nomes trocados para proteger identidades, está relatada no livro “Argo — Como a CIA e Hollywood realizaram o mais estranho resgate da História”, escrito por Mendez com ajuda do jornalista Matt Baglio e que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Intrínseca.

“Começamos nos perguntando que tipo de produção viajaria para o Irã. Como recentemente ‘Guerra nas estrelas’ fizera um sucesso estrondoso (e fora filmado na Tunísia), imediatamente pensamos que o gênero seria perfeito para nós. Histórias de ficção científica muitas vezes incorporavam elementos mitológicos e seria um ganho extra se pudéssemos achar algo que tivesse um tempero do Oriente Médio”, escreve Mendez em seu livro.

O “Argo” de 2012, assim, retrata tanto as ações dos espiões da CIA quanto o funcionamento da indústria do cinema. São duas atividades bastante americanas, que ganham no olhar de Affleck um viés patriótico, às vezes até um pouco excessivo.

O diretor, porém, parece não se importar com as críticas que podem surgir ao lançar uma obra como esta num ano de eleição e em que os conflitos entre EUA e os países do Oriente Médio acabam de voltar à tona: agora mesmo, há algumas semanas, a embaixada americana na Líbia foi invadida por manifestantes, e o embaixador Christopher Stevens foi morto, em represália à divulgação do trailer do filme independente “A inocência dos muçulmanos”, com ataques ao profeta Maomé.

— Tenho amigos tanto entre os democratas, quanto entre os republicanos, e gostaria que ambos os grupos assistissem a “Argo” — disse Affleck.

— Não quis politizar nada. Quis contar como um homem normal, com família e sem a aparência típica dos espiões, pôde se transformar num herói. Sei que os EUA estiveram envolvidos em muitas coisas ruins no Irã. Mas nem todas as ações dos americanos foram perniciosas. Houve personagens que demonstraram humanidade e heroísmo.

Além do tema político, o “Argo” de Affleck também tem um jeito de sátira, com piadas e ironias bem inseridas nos diálogos.

Boa parte disso coube a John Goodman (ele vive Chambers no filme) e Alan Arkin (que interpreta um produtor tresloucado de Hollywood, contratado para ajudar no projeto que não seria realizado).

Numa conversa sobre comprar ou não os direitos de filmagem da ficção científica junto a um roteirista, o personagem de Arkin diz: “O aiatolá é um santo perto do WGA (a sigla que designa o Sindicato de Roteiristas de Cinema e TV dos EUA)”.

Em outro momento, ele fala sobre o ofício de se fazer cinema: “Até um macaco consegue aprender a ser um diretor em um dia”.

Essa última frase pode ser vista como uma ironia à própria carreira de Affleck. Famoso até no Irã por suas atuações em filmes como “Armageddon” (1998) e “Pearl Harbor” (2001), Affleck, na frente das câmeras, é frequentemente espinafrado pela imprensa por sua inexpressão facial e estilo monocórdico de dizer seu texto.

Mas seus três filmes como diretor — os outros dois foram “Medo da verdade” (2007) e “Atração perigosa” (2010) — foram muito bem recebidos e deram a entender que o Oscar ganho em 1998, em parceria com o amigo Matt Damon pelo roteiro de “Gênio indomável”, não foi mera sorte de principiante.

— O que eu faço na direção é me cercar de pessoas espertas, que são melhores do que eu e que vão trabalhar para que nada saia do caminho correto — diz Affleck. — E tem uma coisa importante nisso: o medo da humilhação. Não quero passar vergonha na frente de grandes atores como Alan Arkin e John Goodman.

Como Hollywood sempre adorou atores que se aventuram na direção, a trajetória de Affleck como diretor ainda pode render. Para os brasileiros, depois do Festival do Rio, a oportunidade de atestar o talento do ator-diretor será apenas no dia 9 de novembro, data prevista para a estreia de “Argo”.

Sessões de ‘Argo’ no Festival do Rio:
29/09/2012 – São Luiz 16:30
29/09/2012- São Luiz 21:30
30/09/2012 – Cine Carioca 19:30
03/10/2012 – Kinoplex Fashion Mall 14:00
03/10/2012 – Kinoplex Fashion Mall 19:00
07/10/2012 – Kinoplex Leblon 16:30
07/10/2012 – Kinoplex Leblon 21:30

fonte: O Globo


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