Pesquisador cria polêmica ao defender criação de mosquito Aedes em casa

pesquisador defende criação de mosquito da dengue

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Biólogo contesta teoria de professor de MS que propõe deixar água parada em local acessível para matar os insetos

Uma questão tem causado polêmica nas redes sociais: será mesmo que deixar um pote de água parada no quintal atrairia o mosquito Aedes aegypti para botar seus ovos ali em vez de procurar um lugar mais escondido e de difícil acesso ao morador, se proliferando sem controle? A resposta é não. Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Biologia do Estado de São Paulo (CRBio), Luís Eloy Pereira, essa técnica só funcionaria caso existisse apenas um exemplar do mosquito na região.

Veterinário e professor na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), André Luís Soares da Fonseca defende o uso a técnica para atrair os mosquitos transmissores da dengue, zika vírus e chikungunya.

“O que se faz hoje não é errado [de evitar água parada], quando se fala dos grandes reservatórios, como caixa d’água e piscinas, mas o problema é quando você tira os reservatórios próximos de você. O ideal seria colocar potinhos na garagem, em local visível para não se esquecer e poder limpar, assim se ajuda a evitar a proliferação”, diz Fonseca.

“Quando se retira todos os potes, você, de maneira indireta, estimula a dispersão do inseto. Aí ele vai procurar outro lugar para botar, um lugar mais distante”, diz o professor de Mato Grosso do Sul.

A lógica de Fonseca é que, quando o mosquito bota os ovos em um local de fácil acesso ao morador, seria então possível eliminar esses ovos e impedir que a cria nasça. “Isso depende da responsabilidade social também”, alerta.

“O ideal é colocar o pote de água em um local mais escuro e sombreado e retirar essa água duas vezes por semana. Tem que ter disciplina, assim se elimina a larva do mosquito e impede o nascimento”, diz o veterinário.

A inteligência da fêmea do Aedes

Para o vice-presidente do CRBio, essa técnica não vai funcionar porque há muitos mosquitos Aedes aegypyi, e apenas alguns deles depositarão os ovos na vasilha de fácil acesso. Os outros continuarão procurando as calhas, as caixas d’água e outros locais, então o pote de água no quintal será apenas mais um meio para a proliferação. Ele considera que isso inclusive pode aumentar a proliferação do mosquito.

Além disso, destaca o biólogo, um único mosquito vive por cerca de dois meses e meio e bota centenas de ovos semanalmente. Pereira explica que a fêmea, assim que eclode do ovo, acasala.

Depois do acasalamento, ela guarda os espermatozóides do macho dentro de uma espermateca e, conforme vai ovulando, vai usando essa reserva para se fecundar e botar. Ou seja, com apenas um acasalamento, a fêmea do Aedes aegypti consegue botar milhares de ovos durante seu tempo de vida.

Pereira defende que, com a densidade alta de mosquitos que voam pelas cidades brasileiras, é impossível controlar quais que estão botando na vasilha de água. “Se tivesse uma fêmea só, poderia deixar ela botando e depois jogar a água fora, aí se teria uma mínima noção de como fazer o controle”, ressalta.

A esperteza do Aedes aegypti também surpreende: o biólogo diz que, se o mosquito não encontrar um lugar com água parada para botar, ele vai depositar os ovos em um local que deve acumular água depois de uma chuva.

Fonte: Ig Vigilante


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