“Cidade dos caixões” prospera com a epidemia de assassinatos em El Salvador

"Cidade dos caixões" prospera com a epidemia de assassinatos em El Salvador

“Cidade dos caixões” prospera com a epidemia de assassinatos em El Salvador

Pequeno município rural conta com 18 oficinas de fabricação de caixões e chega a exportar para Honduras e Guatemala

Carlos Pacheco diz que “nasceu” na padaria. Fazer pães e doces é seu ofício e sua vocação. Mas, com o aumento da violência e dos assassinatos em El Salvador – que se tornou a cidade mais violenta do mundo em 2015 – ele fechou o negócio e abriu, no mesmo imóvel, uma empresa mais estável lucrativa: uma oficina que fabrica caixões. “Aqui, todos nós vendemos caixões. Não é algo que fazemos para enriquecer, mas é uma forma de sobreviver”, explica ele, que tem 44 anos. O empreendimento é tão comum em Jacuapa, onde vive Pacheco, que o lugar ficou conhecido como “cidade dos caixões”.

“Assim como todo ser humano tem fome e precisa de pão, a morte chega para todos”, diz Pacheco, que batizou seu negócio de “O Repouso Eterno”. No entanto, em El Salvador, a morte chega para muitos de forma violenta e repentina. Em 2015, o país regristrou uma taxa de 103 homicídios para cada 100 mil pessoas. Para ter noção do tamanho do problema, o Brasil teve, em 2014, uma taxa de 29,1 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Em 2016, as coisas pioraram: o quadro dá sinais ainda mais graves: no primeiro trimestre, mais de 2 mil pessoas foram assassinadas em El Salvador – um aumento de 78% em relação ao mesmo período de 2015. Só em março, foram registrados 600 homicídios, média de 19 por dia. Os dados são da Polícia Nacional Civil e foram publicados no jornal local El Faro.

Diante deste cenário, voltar à tradição de fabricar caixões foi a forma que os habitantes de Jucuapa, município rural localizado a cerca de 100 km da capital, San Salvador, encontraram para escapar da violência e, de certa forma, conviver com ela.
Carlos Pacheco conta que, quando fechou sua padaria, há quatro anos, três de seus empregados haviam sido assassinados. O negócio dos caixões “é mais seguro”, diz. Mas ele admite que, por cauda do aumento da concorrência, a margem de lucro já não é a mesma. De acordo com o El Faro, Jacuapa já conta com 18 oficinas de fabricação de caixões – uma para cada mil habitantes.

Cecilia Gómez, de 50 anos, abriu a oficina “Novo Renascer” com o marido e as filhas há dois anos e, hoje, emprega 15 pessoas. O negócio da família Gómez chega a fabricar até 40 caixões por semana – e destes, vendem sempre entre 10 e 25. Os preços variam bastante, podendo oscilar entre US$ 110 (cerca de R$ 390) a US$ 300 (cerca de R$ 1.050). Até agora, eles só venderam um para fora de El Salvador, para Honduras, mas em Jucuapa há quem exporte com frequência para países como Honduras e Guatemala.

Na oficina de Carlos Pacheco, o caixão mais barato é vendido por US$ 100 (cerca de R$ 350), enquanto o mais caro custa US$ 600 (cerca de R$ 2.100). Mas há oficinas no município que fabricam caixões de até US$ 1.200 (cerca de R$ 4.230).

Em queda?

No dia 26 de março, os principais grupos armados que operam em El Salvador concordaram com um cessar unilateral da violência. Segundo o jornal El Faro, 547 pessoas foram assassinadas durante os primeiros 25 dias do mês de março, uma média de 21,9 por dia. Nos cinco dias seguintes, foram registrados 56 homicídios e a média diária despencou para 9,3.

Pacheco conta que esta queda já está refletindo nas vendas, que estão em baixa. “O negócio de caixões vai cair e várias oficinas vão fechar”, prevê. E, ainda que isso possa custar seu emprego, Pacheco diz não se importar.

Fonte: Último Segundo/Mundo/BBC BRASIL


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