Roraima deporta 450 venezuelanos em situação irregular no Brasil

Roraima deporta 450 venezuelanos em situação irregular no Brasil

Roraima deporta 450 venezuelanos em situação irregular no Brasil

Segundo a PF, estrangeiros foram a Boa Vista para comercializar artesanato; fluxo de imigrantes fez governo do estado decretar estado de emergência

A Polícia Federal (PF) começou nesta sexta-feira (9) a deportar 450 venezuelanos em situação irregular no Brasil. Segundo informações da PF em Roraima, os estrangeiros foram a Boa Vista para comercializar artesanato.
A maioria deles vivia no centro da cidade, próximo à Feira do Passarão, onde pediam esmolas. A previsão é que grupo chegue a Pacaraima (Roraima) esta noite, de onde devem partir para seu país natal sob responsabilidade do governo venezuelano.
O grande fluxo de venezuelanos em Roraima levou o governo do estado a decretar situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional nos municípios de Pacaraima e Boa Vista. A região faz fronteira com a Venezuela, que vive uma forte crise política e econômica e gerou o êxodo de cerca de 30 mil venezuelanos para o Brasil nos últimos dois anos.
Segundo a Polícia Federal, este ano aproximadamente 900 venezuelanos com documentação irregular foram deportados a partir do estado de Roraima.
Saúde
De acordo com estatísticas do Pronto Atendimento do Hospital Geral de Roraima (HGR), situado na capital, o número de venezuelanos atendidos aumentou de 324 em 2014 para 1.240 no ano de 2016, o que representa um aumento de 382,71%.
Em 2016, os atendimentos médicos em venezuelanos já atingem o percentual de 60,25% do total de atendimentos a estrangeiros. O índice de internação de venezuelanos já ultrapassou o de brasileiros: a cada 100 pacientes internados na capital de Roraima, 13 são da Venezuela e cinco do Brasil.
A movimentação migratória também impactou as notificações de doenças infecciosas em 2016. Dos 2.517 casos de malária registrados em Roraima, 1.947 são procedentes da Venezuela. Dos 48 casos de Leishmaniose Tegumentar Americana, 33 ocorreram em venezuelanos e 100% dos novos infectados pelo vírus HIV também são do país vizinho.
O governo do estado declara que não tem infraestrutura básica para comportar o aumento expressivo dos atendimentos além de não ter condições de arcar “solitariamente com os custos advindos do fluxo migratório”. O decreto de emergência foi assinado na quarta-feira (7) e valerá por 180 dias.

“O que a gente sente é que tem que haver um esforço coordenado entre os governos municipais, estadual e federal. E até agora a gente não tem visto isso. Há uma política baseada no receio”, afirmaTelma Lage, coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima.
O presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIG), Paulo Sérgio de Almeida, assegura que aguarda o relatório da missão formada por integrantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Itamaraty e Acnur, que visitou Roraima em outubro deste ano para estudar as medidas que podem ser tomadas em apoio ao estado.

Fonte: Último Segundo/Brasil/EBC Agência Brasil


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