“É preciso coragem para governar”, diz Temer após votação da PEC dos Gastos

“É preciso coragem para governar”, diz Temer após votação da PEC dos Gastos

“É preciso coragem para governar”, diz Temer após votação da PEC dos Gastos

Presidente minimizou a queda no número de votos a favor da medida e disse que alteração no resultado se deve à antecipação do horário da sessão

Horas depois de o Senado aprovar, em segundo turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos por 20 anos, o presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira (13) que é preciso “coragem” para governar. A declaração foi feita em alusão à impopularidade da medida, que é considerada pela oposição como um mecanismo que irá congelar os investimentos em áreas importantes como saúde, educação e assistência social.

“Hoje, no Brasil, se você não tiver coragem, você não consegue governar. Se você não tiver coragem, para que eu vou restringir os gastos num governo de dois anos e pouco? Nenhum sentido teria essa restrição”, afirmou Temer, durante a cerimônia de lançamento do Programa de Renovação da Frota de Ônibus do Sistema de Transporte Público do Brasil (Refrota 17).
Entre as medidas impopulares planejadas pelo governo, o presidente citou a reforma da Previdência. Na semana passada, o governo enviou ao Congresso uma proposta de alterações no modelo atual. Entre as mudanças sugeridas está a elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos para homens e mulheres. “Se não tivéssemos coragem, para que eu vou mexer na questão da Previdência? Ora, poderia perfeitamente deixar para depois: outro que vier, em 2018, que cuide do País todo atrapalhado e todo desarticulado”, acrescentou.
Resultado da votação
Quando a PEC do Teto de Gastos foi votada no Senado em primeiro turno, em 1º de dezembro, 61 parlamentares votaram a favor da matéria, enquanto 14 a rejeitaram. Na sessão ocorrida nesta terça-feira, o placar ficou em 53 a 16. Foram, portanto, oito votos a menos para o governo.

O presidente, entretanto, minimizou a diminuição no total de fotos favoráveis à proposta e atribuiu o resultado ao horário da votação. “Se deve ao fato de o presidente Renan [Calheiros] ter antecipado a votação, que seria, na verdade, programada para a tarde e muitos senadores estão chegando agora. Falei com vários que chegaram agora. Nessas horas, sem embargo da vitória extraordinária, o que pode ocorrer é: ‘Governo sai derrotado’ porque diminuiu o número de senadores.”
Denúncias
A respeito do vazamento dos depoimentos dados por executivos da empreiteira Odebrecht em acordos de delação premiada que envolveriam políticos ligados ao governo, o presidente voltou a pedir celeridade nas investigações. A justificativa é a de que a apuração de eventuais crimes não pode “paralisar” o País.

“Há conflitos? Há problemas no País? Há. Nós não podemos mantê-los indefinidamente. Não foi sem razão que, ainda ontem, eu pedia que essas coisas todas, muitas vezes acusatórias, que venham logo à luz. Porque vindo à luz, quem for acusado poderá defender-se, explicar-se, o que seja, porque, na verdade, estamos na primeira fase da chamada acusação. A acusação é um longo processo. Nós não podemos deixar que isso paralise o País”, finalizou Temer.
Fonte: Último Segundo/Política/Ig. São Paulo


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