Dez dicas para sair do vermelho

A crise econômica está fazendo com que as taxas de inadimplência no Brasil voltem a subir, após se manterem em níveis estáveis por vários anos. Dados do Banco Central (BC) mostram que a inadimplência está em trajetória de alta nos últimos cinco meses. Em março, o nível subiu para 8,3%, o patamar mais elevado desde maio de 2002.

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“Muita gente começa a usar o cheque especial ou o cartão e não o salário como seu limite de consumo, com juros que podem chegar a 15% ao mês. Quando a pessoa não consegue cobrir o valor, começam a incidir juros sobre juros, a coisa vira uma bola de neve e a dívida dispara”, explica Carlos Daniel Coradi, da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores.

OS DEZ PASSOS PARA SAIR DO VERMELHO

1-Conheça o tamanho de sua dívida. Visite todos os credores e peça para que eles descrevam em um papel oficial da instituição o valor exato e os itens que compõem o total de sua pendência.

2-Leve os papéis para a análise de um especialista. Talvez alguns itens possam ser deduzidos do total a ser pago, ou então o valor da dívida pode ter sido calculado de modo incorreto.

3- Guarde esses papéis. Mais tarde, eles podem funcionar como comprovantes em caso de uma disputa judicial sobre o valor da dívida.

4- Tente levantar o maior valor possível. Isso pode incluir a venda de um veículo ou de um terreno, ou mesmo um empréstimo tomado de um familiar. Até mesmo as jóias da família podem ser usadas em um momento de dificuldade.

5- Com esse dinheiro, faça uma oferta aos credores para o pagamento à vista de uma parcela de seu débito. Normalmente, esse tipo de oferta pode gerar o abatimento de uma parcela significativa da dívida.

6- Mude o perfil de sua dívida. Use o dinheiro de um empréstimo consignado – com mais parcelas e juros mais baixos – para cobrir as dívidas anteriores, especialmente no caso das pendências do cartão de crédito e do cheque especial.

7- Essa “troca” da dívida deve diminuir o número de credores, se possível para apenas um. Assim, evitam-se os riscos de muitas taxas para pagar, muitos boletos, com chances de perder um prazo ou deixar de pagar uma conta.

8- Caso não consiga unificar as dívidas, a prioridade de pagamento deve recair sobre aquelas com juros mais altos, especialmente o cartão de crédito. Sempre que possível, deve-se pagar o valor integral da parcela e não apenas o percentual mínimo.

9- Na hora de conversar com os credores, mostre que tem tem intenção de pagar a dívida, mas que está enfrentando dificuldades. Bancos e financeiras tendem a aceitar uma redução no valor do débito em vez de ficar sem receber ou enfrentar os custos de um processo.

10- Adote uma postura preventiva antes de enfrentar uma dívida. Use o cartão de crédito e o cheque especial apenas em situações específicas, e somente quando tiver recursos para cobrir rapidamente os custos

Primeiros passos

Para quem tem contas no atraso, a primeira providência é se organizar. “Criar uma organização financeira básica é o passo mais importante, mas também o mais difícil”, afirma Fabio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O primeiro passo é descobrir qual é o tamanho exato de suas dívidas e como elas são compostas. Assim, a recomendação é que se visite todos os credores e que se peça para que escrevam em um papel oficial da empresa, com assinatura, o valor e a composição do total.

“Às vezes, bancos e financeiras gostam de colocar taxas de cobranças, advogados e uma série de itens que que não fazem parte da realidade daquele momento. Outro fator é que, infelizmente, alguns lugares incluem na dívida taxas que não são corretas, cálculos que não são adequados”, diz Gallo.

De posse desses papéis, eles devem ser levados para a análise de alguém que entenda do assunto, como um contador. Entidades como o Procon, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e até algumas centrais sindicais possuem esse tipo de serviço.

Às vezes, essa providência pode reduzir de modo substancial o valor da dívida. “Além disso, o fato desses valores estarem no papel é uma formalização. Mais tarde, se você entrar numa disputa judicial, esse papel é uma comprovação dos fatores que compõe sua dívida”, explica ele.

O próximo passo é tentar levantar o maior valor possível em dinheiro. Isso pode incluir a venda de um veículo ou de um terreno, ou mesmo um empréstimo tomado de um familiar. Até mesmo as jóias da família, que estão guardadas no armário, podem ser usadas para fazer caixa.

Isso porque, ao se levantar a maior quantia possível, é possível oferecer aos credores esse total como um pagamento à vista. “Normalmente a oferta do pagamento à vista de parte de uma dívida gera um abate forte no valor total”, diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Ibmec São Paulo.

Troca de dívida

Outra etapa importante é a chamada consolidação da dívida, ou seja, “trocar” as várias dívidas com diferentes taxas de juros por uma única, mais barata. Na prática, isso significa pegar um empréstimo com uma única instituição e quitar todas as dívidas anteriores. O ideal é que esse empréstimo faça sua dívida mudar de perfil, com mais parcelas e juros menores que as anteriores.

Um bom caminho para isso é fazer essa “troca” de dívidas através de um empréstimo consignado à folha de pagamento. Enquanto as taxas de juros do cartão de crédito e do cheque especial podem oscilar entre 8% a 15%, normalmente as desse tipo de empréstimo ficam entre 2% a 4%.

Outra vantagem da unificação da dívida é fazer com que ela fique em um só banco ou administradora. Dessa forma, evitam-se os riscos da multiplicação de contas: muitas taxas para pagar e muitos boletos, o que aumenta a chance de perder um prazo ou se deixar de pagar uma conta.

“Além disso, uma única dívida permite que a pessoa coloque esse valor no seu orçamento financeiro. A pessoa precisa saber exatamente o quanto vai ganhar e o quanto tem de gastos indispensáveis todo mês, para saber se essa prestação única cabe no seu bolso”, analisa Gallo.

Caso não seja possível unificar todas as dívidas em uma, a recomendação é que se priorize aquelas com juros mais altos, como as do cartão de crédito. No entanto, eles alertam que o importante é pagar a fatura integral, e não apenas o valor mínimo, porque os juros sobre o valor total podem superar os 12% ao mês.

Uma simulação feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que uma dívida com cartão pode quase dobrar em cinco meses. O instituto calculou o quanto cada pessoa gastaria se pagasse só o valor mínimo da fatura durante cinco meses. Em uma dívida de R$ 100, o valor final será de R$ 187.

Hora da conversa

Na hora da renegociação com os credores, os especialistas recomendam que a pessoa seja honesta sobre sua situação: ao conversar com o banco, o devedor deve mostrar que tem intenção de pagar, mas que está enfrentendo dificuldades. Com a crise, não só o desemprego está aumentando como várias empresas estão praticando a redução salarial, enquanto as contas mantém o seu valor.

“Normalmente os bancos e financeiras são abertas a esse tipo de situação. Eles preferem dinheiro na mão do que uma demanda complicada”, diz Gallo. “Eles (bancos) não têm interesse em deixar os clientes inadimplentes. Pode gerar um processo judicial demorado, com altos custos, que pode não dar em nada. Assim, para eles, é melhor receber alguma coisa do que nada”, concorda Fernando Dalbão, coordenador do curso de Economia da Universidade Cruzeiro do Sul.

Sujo na praça

Para alguns casos extremos, onde a seguida incidência de juros tenha feito o valor da dívida se elevar a um valor que o consumidor não tem nenhuma condição de pagar, às vezes pode ser necessário fazer a escolha de simplesmente suspender os pagamentos. “Caso se chegue a um ponto onde a opção é colocar comida na mesa ou pagar o banco, evidentemente as pessoas vão escolher dar prioridade à sua vida”, diz Coradi.

Nesse caso, haverá uma série de complicações: a pessoa vai passar a receber cartas de diversas instituições avisando que seu nome está “sujo na praça” e uma série de ligações de empresas de cobrança. “E elas podem ser impertinenentes, ligando no sábado à noite ou no domingo de manhã”, segundo o analista da EFC. “A pessoa tem que aprender a lidar com esses fatores e não se abalar. Pode ser um pouco traumático.”

Segundo Coradi, os consumidores nessa situação podem optar por esperar um pouco antes de procurar uma renegociação, caso consigam suportar a pressão. “Nesse meio tempo, ela pode tentar acumular capital para oferecer ao credor. Normalmente, depois de um certo tempo, também existe mais facilidade para conseguir um desconto maior no valor.”

No entanto, os analistas alertam que esse caminho é arriscado. “É possível que o consumidor sofra um processo jurídico, a recuperadora vai pedir a posse de algum bem, como carro ou até casa. Dependendo do contrato, também pode haver um fiador envolvido, o que pode complicar as coisas ainda mais”, diz Coradi.

Portanto, vale o conselho: antes de suspender o pagamento, é importante procurar a orientação dos órgãos de defesa do consumidor, como o Idec e o Procon.

Longe da lista negra

Para evitar todas essas dores de cabeça, de acordo com os analistas, a prevenção ainda é o melhor remédio contra as dívidas. A idéia é que o consumidor adote uma postura cautelosa para ficar longe das “listras negras” do crédito, como as do Serasa Experian e do Serviço de Proteção ao crédito (SPC), que impõem uma série de limitações.

“Mesmo que às vezes seja precisa vender um ativo como um carro, ainda é melhor do que cair na inadimplência”, analisa Coradi. Nessa estratégia de prevenção, os analistas recomendam manter o máximo de distância do cartão de crédito e do cheque especial. “O cheque especial só deve ser usado com inteligência”, conforme diz Rocha.

O exemplo desse uso inteligente é o pagamento de uma conta no final do mês: “Você está sem nada no banco, mas se não pagar terá uma multa na próxima parcela. Se você estiver perto do dia de receber seu salário, vale a pena usar o cheque especial, porque na maioria dos casos ele tem uma carência de cinco ou sete dias antes da incidência de juros”, explica.

Já o uso do cartão de crédito é definido por Coradi como “um remédio”: “Você deve tomar a dose certa na hora certa. Se você não tiver recursos para manter o seu nível de consumo, o melhor é quebrar o cartão e jogar fora.”

Fonte: G1


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Comentários

  • Bruno disse:

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  • Daniel disse:

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    Abração

  • Sérgio Silva disse:

    Deem uma olhada nesse blog, ele dá dicas de economia e outros assuntos. Achei muito útil!!!!!

    http://operacaocifrao.blogspot.com/

  • anderson disse:

    Bruno na boa cara ja entrei nessa so dancei é furada sim sempre é ninguem da dinheiro assim deixa de ser troxa em querer enganar as pessoas vai trabalhar

  • Renato Maciel disse:

    Olá!, gostei bastante!..

    Também achei outras opções interessantes nesse endereço:

    http://seidetudo.com/dicas/como-sair-do-vermelho.html

    Até mais!

  • valmir disse:

    como fazer



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