Festival Anima Mundi em São Paulo até o domingo

Duas preciosidades que fazem parte da história do cinema de animação tupiniquim serão exibidas, em rara ocasião, nesta 17ª edição do Anima Mundi, maior festival dedicado ao gênero no país, que abre ao público sua etapa paulistana nesta quarta-feira (22), no Memorial da América Latina e no Centro Cultural Banco do Brasil.

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“Sinfonia amazônica”, de 1953, primeiro longa-metragem em animação feito no Brasil, e o documentário “Ypê Nakashima”, sobre o criador do primeiro longa animado nacional, “Piconzé”, de 1973, são destaques do evento, que segue até domingo com uma programação de mais de 400 filmes – entre curtas e longas – vindos de diversos países.

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Resultado de cinco anos de trabalho autodidata e intenso de Anélio Latini Filho (1926-86), “Sinfonia amazônica” lembra uma mistura de “Fantasia”, clássico de Walt Disney de 1940, com cenários e lendas do folclore brasileiro. O filme em preto-e-branco, com 63 minutos de duração e trilha de Altamiro Carrilho, acompanha os encontros do indiozinho Curumí com figuras do imaginário da floresta como Curupira, Caapora, Mapinguarí e a Cobra Grande.

Exibido em sessão única no sábado (25), o longa é alvo de um projeto de restauração sob responsabilidade de Marcia Latini, sobrinha de Anélio e filha de Mario Latini, que assinou a produção e a direção de fotografia do longa.

“É [um filme] muito importante, que está a perigo de se perder se esse negativo não for restaurado”, aponta César Coelho, um dos quatro diretores do Anima Mundi. “São dois caras sozinhos fazendo um longa-metragem no Brasil nos anos 50! Aquilo é o início da maneira brasileira de fazer animação: ‘a gente vai fazer não importa como!'”, defende.

A saga do caipira

Não menos importante para entender as origens da animação nacional, o autor do longa-metragem “Piconzé” (1973), primeiro em cores a chegar aos cinemas do país, é o tema central do documentário “Ypê Nakashima”, que será exibido fora de competição nesta quinta-feira (23) no festival.

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Dirigido por Hélio Ishii e narrado por Itsuo Nakashima, único filho vivo de Ypê, o documentário narra a jornada épica do animador que deixou o Japão logo após a Segunda Guerra e veio trabalhar como ilustrador em São Paulo. Com um pequeno grupo de amigos japoneses e uma força de vontade descomunal, Nakashima levou seis anos para concluir os 80 minutos de “Piconzé” – e morreu aos 47 anos, apenas dez meses depois da estreia do filme nos cinemas.

Tanto o documentário quanto o filme – que conta a história do caipira Piconzé e sua namorada Maria em uma aventura com toques de cangaço, faroeste e novelas de cavalaria – podem ser vistos, de graça, no completo site dedicado à memória de Ypê Nakashima. Entre as curiosidades sobre a carreira do animador nipo-brasileiro, o site disponibiliza ainda os antigos comerciais que ele fez para a TV, incluindo as célebres animações dos cobertores Parahyba e do açúcar Tamoyo.

A nova indústria brasileira

Trinta ou cinquenta anos depois dos esforços de Nakashima e Latini, os animadores brasileiros comemoram agora os primeiros contratos de coprodução de seriados nacionais e a consolidação de uma indústria. O feito é celebrado no Anima com a mostra “O que vem pra TV”, que está marcada para domingo (26) e reúne novas séries infantis como “Quarto do Jobi” e “Meu amigãozão”, de Andrés Lieban, “Cordélicos”, de Ale Machaddo, e “Peixonauta”, de Célia Katunda e Kiko Mistrorigo. Todas já têm contratos de exibição em TVs daqui ou do exterior.

“A gente conquistou isso. Primeiro, porque a gente não tinha como atender a produção em larga escala que os seriados demandam. E, segundo, que a gente não tem tradição nesse mercado. Animação para a TV é um mercado muito difícil, fechado, e a gente ter conseguido uma entrada assim, como autores, nos dá uma credibilidade enorme”, comemora Coelho.

No sábado e no domingo, o Anima Mundi também apresenta a mais recente animação em longa metragem brasileira, “As aventuras de Gui & Estopa, de Mariana Caltabiano.

‘Coraline’ e Ocelot

Nesta quarta, dia de abertura do festival, os destaques ficam para o papo animado com o francês Michel Ocelot, autor do premiado longa-metragem “Kirikou e a Feiticeira”, de 1998, e de uma apresentação especial com profissionais do estúdio Laika, que irão mostrar os bastidores da produção com bonecos em 3D “Coraline”, dirigida por Henry Selick (“O estranho mundo de Jack”) e baseada no romance de Neil Gaiman.

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17º Anima Mundi – São Paulo
Quando: de quarta-feira (22) a domingo (26)
Onde: Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda) e Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112, Centro)
Quanto: de R$ 3 (meia) a R$ 6 (sessões grátis no CCBB)

DATAS E HORÁRIOS

A programação completa pode ser vista no site do evento www.animamundi.com.br

“Sinfonia amazônica” – Papo Animado apresentado por Marcia Latini e exibição do filme. Sábado (25), às 19h, no Memorial, sala 2

“Ypê Nakashima” – mostra hors-concours. Quinta-feira (23), às 16h30, no Memorial, sala 3

“O que vem pra TV” – mostra seriados de desenhos animados nacionais. Domingo (26), às 17h, no Memorial, sala 2

“As aventuras de Gui & Estopa” – longa-metragem de Mariana Caltabiano. Sábado (25), às 15h, e domingo (26), às 13h30, no Memorial, sala 3

“Michel Ocelot” – Papo Animado com o diretor e exibição de curtas. Quarta (22), às 19h, no Memorial, sala 2

“Laika apresenta ‘Coraline'” – palestra e workshop com Scott Tom e Mike Cachuela. Quarta (22), às 21h, no Memorial, sala 2

fonte: g1


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